Forças militares que apoiam Assad na Síria

INTRODUÇÃO

Esta é uma compilação de diversos grupos que apoiam militarmente o regime de Bashar al-Assad. Deixei as organizações políticas que apoiam o regime e as forças rebeldes para postagens futuras.

Essa lista deixa claro que os motivos para se combater ao lado do regime variam, mas se reduzem a certos fatores comuns. Todos aderem ao projeto secular representado por Bashar al-Assad, sendo a segurança de minorias ameaçadas como os xiitas, os alawitas, os sufis, os cristãos e o druzos um dos leitmotiv da posição pro-regime (independente de existirem rebeldes que se declarem igualmente seculares). Todos consideram a “Revolução síria” como um ataque orquestrado por interesses escusos dos Estados Unidos, de Israel e da Arábia Saudita (da Europa e de monarquias árabes petroleiras em menor escala), dando um tom anti-imperialista apelativo no contexto árabe. Todos são enfaticamente contra o salafismo e o wahabismo, contra o radicalismo sunita, “contra o terrorismo”, sendo este outro elemento fundamental no seu discurso de definição do inimigo.

A presença de voluntários estrangeiros nos dois lados indica uma globalização do conflito. Enquanto jihadistas sunitas engrossam as fileiras dos rebeldes, nacionalistas árabes e principalmente militantes xiitas se dirigem a Síria para combater a favor do regime. É notável também a forte politização do conflito, com as organizações militantes, voluntárias e politizadas assumindo o primeiro plano, inclusive em relação ao exército. No caso dos rebeldes, é notável que as tentativas de ampliação de uma frente ampla através da despolitização do discurso, de uma busca pela “neutralidade anti-regime”, fizeram o Exército Sírio Livre perder força, atormentado por divisões internas, enquanto o radicalismo islâmico prospera dentro e fora do mesmo (fora e contra, no caso do Estado Islãmico/ISIS). 

Forças Armadas da Síria

Força: 250 mil na ativa; 11 milhões e 550 mil disponíveis na reserva, 9 milhões e 939 mil disponíveis na reserva preparados para o serviço.

Força nacional da síria, é importante cita-la não só por ser a principal força beligerante do lado do regime, mas também por ser um fator político relevante, ainda mais numa situação de guerra civil. Em guerras civis, não é incomum que soldados, oficiais e divisões inteiras mudem de lado.  O exército sírio não foi muito desestabilizado pela tempestade política e continua sendo um dos pilares fundamentais do regime, o que é desde os anos ’60. É uma instituição apegada ao nacionalismo, ao baathismo e acima de tudo às figuras de Hafez e Bashar al-Assad (vale notar que Hafez representava uma “ala militar” do Partido Ba’ath que se sobressaiu na disputa de poder) As figuras política do regime também mantém um firme controle institucional no exército (talvez por isso a ausência de rebeliões).

Possuí indubitável superioridade logística, aérea e na artilharia em relação aos rebeldes. No entanto, sendo um exército de conscritos, a infantaria tem problemas de moral e competência. A extensão do exército gera em muitos casos uma certa falta de atenção material (financeira) e isso, aliado ao serviço obrigatório, gera tropas desmotivadas (são tropas cuja disposição se limita a tarefas fáceis). Em última instância esses problemas são um problema de lealdade. A moral baixa se reflete em combate e no trato com civis (que pode ser deteriorado).  

Suqur al-Sahara (Falcões do Deserto)

Orientação: Nacionalismo, Baathismo

Força especial formada basicamente por veteranos e ex-oficiais, mas também por voluntários pro-regime. Apesar de seu vínculo com o exército, o grupo é independente e é considerado uma “tropa de elite” especializada em táticas de emboscada. Foi empregada em vários objetivos táticos especiais em diversos fronts, apesar de focar nas regiões desérticas próximas da Jordânia e do Iraque para cortar as linhas de fornecimento e comunicação dos rebeldes. São equipados com armas leves e médias. Surgiram na governadoria de Homs. Participaram em junho de 2013 na captura de Al-Qaryatayn, onde perderam um de seus comandantes. Também atuam na governadoria da Latakia, após a ofensiva rebelde no norte da região, com o grupo ajudando a tomar a posição estratégica da Torre 45, onde três de seus homens morreram. 

Shabiha

O termo “shabiha” foi vulgarizado pela oposição na tendência de chamar qualquer grupo pro-regime de “shabiha” (mais ou menos como o regime chama todos os rebeldes de “takfiris” e “wahabis”).

O termo “Shabiha” vem de velhas gangues alawitas de contrabando costeiras (tinham origem nas montanhas da Latakia; contrabandeavam produtos do Líbano, geralmente não produzidos ou por alguma razão de controle estatal proibidos na Síria), algumas delas ligadas a um dos irmãos de Hafez Al-Assad (pai de Bashar), Fawwaz al-Assad (apesar disso, o primeiro Assad a se envolver com contrabando na Latakia foi o jovem Malek Al-Assad, filho de Ibrahim Al-Assad, meio-irmão mais velho de Hafez, que graças ao contrabando saiu da pobreza nos anos ’70). O crescimento da rede de contrabando fez ela se estender através da comunidade alawita e incluir sunitas de bairros pobres. Usado como definição de “gangsters alawitas” ou uma “rede alawita de contrabando”, as relações com membros da família Assad  gerou novos significados. Fawwaz se destacou por se tornar o maior chefe de gangue da cidade ainda muito jovem, criando uma organização ampla (uma rede de gangues) junto com outros membros da família estendida (como Namir, primo de Hafez, e Numeir, primo de segundo grau dos filhos de Hafez) e que se destacavam pelo seu  ”Tashbeeh” (“agir como um bandido”). Essa organização coesa, destacada e o comportamento criminoso, diferenciados das primeiras redes de contrabando, criaram um conceito de “shabiha” como um tipo de organização criminosa. A presença de membros da família Assad permitiria que eles operassem com impunidade. As gangues foram suprimidas por uma operação de Hafez Al-Assad e seu filho Basil Assad, no meio dos anos ’90. No entanto, no fim dos anos ’80, Fawwaz  que já havia abandonado a vida do crime se tornara advogado e seguiu sua vida normalmente.

Em 2011 o governo teria estabelecido conexões com grupos criminosos para combater os rebeldes, inclusive antigos Shabihas. Um exemplo seria o clã sunita Berri de Aleppo, bem conectado e envolvido em atividades criminosas, que teve suas lideranças executadas por rebeldes em julho de 2012. Similar ao que teria acontecido na cidade de Idleb, onde gangues de sunitas apoiadores do regime fizeram o “trabalho sujo” até a chegada do exército.  O termo, nesse sentido, também é usado para designar em geral grupos paramilitares que atacavam manifestações, com uma função de provocadores, “pitbulls” do regime que serviram de base para milícias posteriormente. Apesar das coisas não serem muito claras, a ideia é de que teriam um elemento criminoso (ligados ao mundo crime, ex-presidiários, velhos do antigo Shabiha, ligados a rede alawita etc) e ao mesmo tempo um vínculo de lealdade com o regime, mais precisamente um vínculo direto com a família Assad. São paramilitares de um tipo especial, armados e organizados por membros do círculo dos Assad (Baher Al-Assad, irmão de Bashar, teria encontrado pessoalmente os possíveis líderes para organizarem as milícias com as armas e o dinheiro que fosse necessário), com a funções de “trabalho sujo” para aterrorizar as forças da oposição (terrorismo contra os rebeldes). Portanto e de qualquer forma, os shabiha tem um caráter diferenciado daquele dos Comitês Populares, a margem da lei, para-estatal, clandestino, como um grupo de “capangas”.  Muito se fala de características visuais de shabihas, de tipo de roupas, tênis, corte de cabelo e estilo de barba (fora a referência a um sotaque alawita da costa). Os shabihas alawitas são considerados extremamente leais e devotos (tal reputação de devoção aos seus líderes é compartilhada pelos shabihas do passado).

São diversas as acusações dirigidas contra esses grupos, uma delas a de atirarem em manifestantes na Latakia (que contrapartida não seriam da região e sim militantes islâmicos de organizações clandestinas como a Irmandade Muçulmana da Síria).

É importante não se enganar com a aplicação do termo para absolutamente qualquer apoiador de Assad.

Comitês Populares

Força: os números variam entre 2 e 5 mil combatentes

Grupos de auto-defesa, milícias de bairro. Emergiram inicialmente em bairros cristãos, armênios, druzos, alawitas, e xiitas, ou seja, como organismos de proteção de minorias ameaçadas pelos grupos radicais sunitas (sequestros, roubos, assassinatos, extorsões, etc). No entanto, também existem comitês populares sunitas. São comuns também em zonas cercadas por rebeldes, ou de grande atividade rebelde. De uma maneira geral, qualquer milícia de bairro pro-regime que se forma se torna um Comitê Popular de auto-defesa.

O governo sírio armou esses grupos que são responsáveis por checkpoints em seus distritos.  Em zonas disputadas como Aleppo, o exército ofereceu armas para as minorias, o que faz parte de uma estratégia política de Assad de unir as minorias ao seu redor. Segundo o Strategy Page, se as minorias formam milícias para manter os rebeldes fora de seus bairros, a artilharia do exército não atacará esses bairros.

A organização de milícias cristãs chamou muito atenção na época, com algumas pessoas cometendo o erro de julgar que estas eram independentes do regime (não conheciam os Comitês Populares). Em agosto de 2012, o exército organizou a milícia cristã em Aleppo e no bairro de Jdeideh foram os primeiros a enfrentar os rebeldes. Quando uma bomba matou quatro oficiais do governo, inclusive o ministro da defesa cristão ortodoxo, General Dawoud Rajiha, pelo menos 200 AK-47s foram distribuídas num bairro cristão de Damasco. Os comitês são acusados de execuções extra-judiciais, retaliações contra civis e condução de vendetas, fora a acusação mais geral de “sectarismo”, “estímulo ao conflito sectário”(ex. um comitê de um bairro alawita ataca sunitas). Apesar das acusações, o seu caráter de auto-defesas territoriais o diferenciam dos Shabiha.

Os comitês populares são o tipo mais comum de milícia pro-Assad. Desde fins 2012 muitos Comitês Populares e grupos paramilitares irregulares vem sendo incorporados numa nova estrutura mais formal (com salários, equipamento militar, hierarquia, etc), coesa e organizada, a Força Nacional de Defesa. No entanto, muitos ainda existem na sua condição de milícias de bairro.

Brigadas Ba’ath

Símbolo do Partido Ba’ath

Orientação: Nacionalismo, Baathismo

Força: 7000 (em 2013)

Brigadas do Partido Ba’ath Sírio, o partido de Bashar Al-Assad que governa o país desde 1963. A iniciativa de 2012 partiu de Hilal Hilal, líder do partido em Aleppo, que criou a milícia para contrapor os rebeldes que haviam tomado metade da cidade no verão daquele ano. O papel inicial das milícias era de funções menores como a proteção de prédios públicos, mas suas tropas foram se expandindo e ganharam notoriedade com sucessos em áreas disputadas que eram negligenciadas pelo exército. São totalmente voluntários, ideologicamente comprometidos com o regime e bem treinados pelas tropas de elite da Guarda Republicana.

Atuam nas governadorias de Aleppo, Tartus, Damasco e Latakia. O processo de militarização dos quadros partidários deve continuar.

Possuem antecedentes em grupos paramilitares baathistas do passado, o chamado “Exército do Povo”.

São apontados como exemplos de sunitas seculares, pro-regime e que vão contra uma suposta lógica sectária do conflito (ou que algumas forças querem impor ao conflito).

São tropas tidas como altamente competentes e motivadas, de elevado moral, geralmente em contraposição ao exército regular. Entre várias conquistas heroicas celebradas pelo regime, recentemente (no início do ano) se destacaram como ponta de lança na ofensiva contra a cidade velha de Aleppo.

Compartilham conteúdo na internet, possuindo inclusive páginas no Facebook.

Jaysh al-Sha’bi (Exército do Povo)

Orientação: Baathismo

Força: 100 mil

O antigo braço paramilitar do Partido Ba’ath. Foram fundadas em 1963, mas é difícil definir claramente seu papel já que não está claro (pelo menos para o ocidente) até elas são separadas da Força Nacional de Defesa (e se são), criada mais recentemente. O mais razoável é dizer que, tratando a Força Nacional de Defesa de unificar as diversas milícias no país, atualmente estas milícias tenham passado pelo mesmo processo de incorporação.

Força Nacional de Defesa

Força: entre 80 e 100 mil combatentes

Muito conhecida pela sigla em inglês, “NDF”(National Defense Force), é uma guarda nacional organizada especialmente para a guerra, com serviço de caráter voluntário e temporário. Foi criada em 2012 e em 2013 para arregimentar diversas milícias, especialmente os Comitês Populares, numa única força nacional coesa sob o controle e a supervisão do exército sírio.

A intenção era criar uma força cujos soldados sejam altamente motivados e atuem na sua localidade. As milícias foram hierarquizadas e, diferente dos Shabiha, recebem equipamentos e salários do governo. O Irã foi fundamental na constituição da força, através de treinamento e assessoria (a FND sobre os moldes da milícia nacional iraniana, os Basij).

Muitos realmente consideram a Força Nacional como mais atrativa em relação ao exército, que além de ser objeto de desconfiança, é sobre-empregado e sub-valorizado (financeiramente). Um dos motivos de sua popularidade é o fato da maior parte das unidades operaram nos seus locais de origem. Diferentemente do exército, a FND é autorizada a recolher espólios do campo de batalha. Muitos aderem após ter um familiar morto por rebeldes, por pertencer a alguma minoria perseguida pelos islamistas ou simplesmente não aceitar um futuro sob a lei islâmica. Seu caráter é secular e tem uma grande quantidade de voluntários pertencentes às minorias.

A FND cumpriu um papel crucial ao melhorar a situação militar do governo no fim de 2012. Se tornou a principal força de infantaria, enfrentando diretamente os rebeldes, enquanto em muitos casos o exército está sendo deixado com as funções logísticas e de artilharia. Muitos oficiais do exército preferem as tropas da FND, mais motivadas e leais, para conduzir operações de infantaria. Frente a incompetência, a moral baixa e algumas deserções no exército, a Força Nacional o substituiu como principal força combatente.

Costumam colocar bastante conteúdo de propaganda na Internet. Seus vídeos costumam ser acompanhados por músicas nacionais ou “trilha sonora épica”, diferente dos cantos islâmicos que acompanham os vídeos rebeldes.

A Força Nacional possuí  cerca de 500 mulheres (as “leoas”).



D
ocumentário:

Liwa Abu al-Fadhal al-Abbas

Força: mais de 10 mil combatentes

Grupo xiita sírio. Atua desde 2012. É na prática uma confederação de auto-defesas xiitas.  Sua função é principalmente defensiva, defendendo lugares sagrados dos xiitas sírios. Os voluntários xiitas iraquianos e de outras nacionalidades costumam se juntar e eles.


Brigada Haidar al-Karar

Força: por volta de 2 mil

Braço sírio do grupo paramilitar xiita iraquiano Asa’ib Ahl al-Haq (Rede Kazhali). Maior grupo insurgente xiita no Iraque. É patrocinado pelo  Irã (aparentemente 5 milhões em dinheiro e armas, mensalmente) e mantém vínculos com o Hezbollah. São uma peça elementar na intervenção importante dos grupos xiitas na Síria, virando a balança a favor do regime.

Brigadas do Dia Prometido; Brigadas do Dia da Promessa

Grupo insurgente xiita do Iraque que enviou voluntários para Síria. É apoiado pelo Irã.

Organização Badr; Brigadas Badr

Força (na Síria): por volta de 1500

Partido político xiita iraquiano, com fortes vínculos com o Irã.  Bem situado no interior do Estado iraquiano. Existem voluntários tanto nas regiões de Damasco e Aleppo. Tiveram importância na batalha pela cidade estratégia de Yabroud, 80km ao norte de Damasco.

Nota sobre as organizações xiitas iraquianas: a maioria delas retornou para o Iraque com o avanço do Estado Islãmico (ISIS) em seu país.

Resistência Síria (Frente Popular de Libertação da Liwa de Iskadrum)

Orientação: Nacionalista, marxista-leninista

Força: 2000

Atua no noroeste da Síria,  é ativo desde 2011 e tem sua base de operações na Latakia, principal cidade portuária da síria, quinta maior cidade do país, é um centro manufatureiro e com uma população de por volta de 383 mil habitantes. As áreas onde atua são as Governadoria da Latakia e nos distritos de Homs, Ariha, Azaz e Jisr al-Shughur.

O movimento foi fundado por um turco alawita, Mihrac Ural (alias Ali Kayali). Foi um insurgente comunista na Turquia, desenvolveu vínculos com o governo sírio de Hafez Al-Assad e com o Partidos dos Trabalhadores Curdos. Atuava no vale de Beqaa (reduto de facções ligadas a Síria), foi preso mas conseguiu fugir da prisão em 1980, se exilando na Síria. De lá passou a dirigir um grupo comunista voltado para a libertação do Hatay/Iskadrum e re-anexa-lo a Síria, reivindicação histórica dos sírios. Foi ignorado pelo regime a partir de Bashar Al-Assad e sua normalização com Turquia.

Ali Kayali

No início do conflito em 2011, Kayali organizou jovens da comunidade alawita da Latakia para formar uma milícia capaz de manter os insurgentes sunitas ao norte da cidade, daí nasceu o movimento “Resistência Síria”. O movimento cresceu e fez incursões mais ousadas em outras regiões, como Homs.

O movimento se declara secular, mas tem uma base formada principalmente por alawitas e membros da seita majoritária do xiismo (“Twelver”,  Ithna-’Ashariyya, os que acreditam nos 12 Imãs pós-Maomé; tem presença em vilarejos xiitas também). A oposição acusa o grupo de ser uma “milícia sectária”, de crimes contra sunitas e de Kayali estar por trás de ataques terroristas na Turquia.

Mártir Aamer Mahmoud Ṭaha. No fim de 2013, o grupo Resistência Síria havia perdido 27 combatentes.

Kayali está constantemente acompanhado por clérigos alawitas em suas aparições públicas. Apesar do grupo se declarar secular e ter um discurso fortemente nacionalista, não nega que um de seus objetivos principais é proteger os alawitas e os xiitas da violência sectária dos grupos sunitas (chamados negativamente “takfiris”). O grupo foi importante na libertação de muitas vilas alawitas do domínio rebelde, bem como combateu como força auxiliar em batalhas importantes na região. Tem uma forte presença na zona urbana e nas zonas rurais da Latakia, tendo um papel importante no controle das montanhas que rodeiam a cidade (e onde acontecem boa parte dos confrontos). Foi importante no rechaço de duas grandes ofensivas rebeldes na Latakia (2013 e 2014).

O clérigo alawita Sheikh Muwaffaq al-Ghazal é um dos principais apoiadores do grupo, tendo ele mesmo tomado parte em operações militares, “não como clérigo, mas como um combatente”(disse ele).

O grupo divulga material na internet (músicas, vídeos de combate, informativos, de eventos e de propaganda). Boa parte desse material é em homenagem a seus mártires, mas também existem vídeos de Ali Kayali falando para a câmera (o nome do grupo em árabe é المقاومة السورية caso queiram procurar na internet).

https://www.facebook.com/moqaweme

https://www.facebook.com/almoqauma.masyaf?ref=br_rs

https://www.youtube.com/channel/UCaMl3hRupOZ2z_VA4CIrC8g

Exército de Libertação da Palestina (OLP)

Orientação: Anti-sionismo, nacionalismo árabe

Força (na Síria): 4500

Braço militar da OLP. Tem uma forte presença na Síria devido aos refugiados palestinos. Sua posição no conflito sírio é aparentemente vacilante, procurando servir mais como uma presença militar de apoio aos refugiados do que como força armada do regime.

Fatah al-Intifada

Orientação: anti-sionismo, solidariedade árabe

Outro grupo nacionalista palestino que apareceu no conflito sírio por causa da presença dos refugiados. Foi um grupo bastante apoiado pelos sírios no passado, além de ser rejeicionista (rejeitou os Acordos de Oslo). Pro-regime, o grupo faz checkpoints lealistas nas zonas palestinas e se opõe abertamente aos “terroristas takfiris”, isto é, os radicais sunitas.

Frente Popular de Libertação da Palestina – Comando Geral

Grupo palestino rejeicionista, originário da organização marxista-leninista Frente Popular de Libertação da Palestina e de orientação nacionalista, fundada e liderada por Ahmed Jibril. A organização se separou por ter uma visão militar mais radical. Tem sua base no Campo de Yarmouk, distrito de Damasco com a maior comunidade palestina da Síria. Lutaram por Yarmouk contra forças rebeldes até essa zona se tornar zona neutra. Alguns comandantes desertaram para o lado rebelde.

Nota sobre organizações palestinas: no caso do campo de Yarmouk, outras 11 organizações palestinas lutaram “a favor” do regime para expulsar os rebeldes do campo palestino. 

Hezbollah

Orientação: Xiismo, Anti-Sionismo, Anti-imperialismo, Anti-Wahhabismo

Hezbollah é o partido libanês famoso por ter conduzido uma guerra de resistência contra Israel. É um dos principais inimigos de Israel e sempre foi muito próximo do regime sírio. São constantemente listados como as principais tropas auxiliares no conflito sírio e tem desempenhado um papel importantíssimo na sustentação (segundo alguns, “fundamental”) do regime sírio. Além do vínculo com o regime sírio, a defesa dos xiitas e a oposição ao wahabbismo (e um processo que eles consideram um produto israelense), o envolvimento do Hezbollah é uma resposta aos reflexos do conflito sírio no Líbano (que se manifesta inclusive na forma de grupos islamicos radicais). Constantemente voluntários do Hezbollah se dirigem a Síria, seja para combater como forças auxiliares, defenderem vilarejos xiitas ou fazer ataques independentes contra posições rebeldes.  Em 2012, estimava-se por volta de 3 mil combatentes do Hezbollah em solo sírio, o que é uma estimativa sujeita a variações do fluxo de voluntários. Neste ano, cerca de 2 mil militantes foram combater em Aleppo. Seu envolvimento na guerra é polêmico dentro do próprio Partido, dentro das fronteiras do Líbano e na comunidade islãmica. Os rebeldes acusam o Hezbollah de ser uma “gangue de mercenários sob as ordens do Irã” e de ser “a razão pelo qual o regime ainda não foi derrubado”.

Suas tropas são bem equipadas e bem treinadas, além de experientes.

Ka’taib Hezbollah



Grupo xiita insurgente iraquiano. Possui alguns voluntários na Síria.

Houthis

Orientação: Xiismo, anti-imperialismo, anti-takfirismo, anti-sionismo

Insurgentes xiitas (Zaydi, que acreditam nos cincos Imãs pós-Maomé) do Yemen. Enviaram voluntários para a Síria através dos campos do Hezbollah no Líbano.

Possuí uma linha muito parecida com a do Hezbollah (apesar da diferença de ter um certo “componente clânico”) e sua existência é definida por conflitos com grupos radicais sunitas, salafistas e takfiris. Isso provavelmente motiva os voluntários na Síria, além da proteção da comunidade xiita local.

Partido Democrático Árabe

Orientação: Nacionalismo árabe, socialismo árabe, Pan-Arabismo

Partido libanês de composição alawita. Sempre manteve relações próximas com o Estado, o exército e partidos sírios. Suas forças paramilitares sempre estiveram em conflito com radicais sunitas hostis a Damasco e não é diferente com os reflexos do conflito sírio em solo libanês.

Jaysh al-Muwahhideen

Milícia de druzos, uma denominação religiosa singular de elementos sincréticos originária do xiismo ismaelita, que forma uma comunidade coesa de costumes distintos e que sempre teve que lidar com diversas formas de perseguição e marginalização. É alvo de grupos jihadistas radicais sunitas, sendo de uma maneira geral detestados ou no mínimo marginalizados pelo mundo islâmico como um todo.

Criado em 2013, seu objetivo é constituir uma auto-defesa em resposta aos ataques a civis druzos. Atua nas zonas druzas das governadorias de Damasco (Jabal al-Sheikh), Deraa, Aleppo e principalmente de Suayada, na “Montanha dos Árabes”, também conhecida como “Montanha dos Druzos”.

Ataques contra civis druzos ocorreram em Suwayda e Deraa, especialmente na forma de sequestros, mas também com terrorismo (bombas).

Apesar de sua linha de “só se defender” e não tomar parte em ofensivas, o grupo vem colaborando com o exército e organizações pro-regime, como os Comitês Populares, que podem atuar em suas áreas (diferente dos grupos rebeldes e jihadistas). O estabelecimento de Comitês Populares em zonas druzas mostram vínculos próximos entre o grupo e o exército. O grupo cumpre um papel importante junto as outras forças do regime no combate na frente de Deraa contra o grupo jihadista Jabhat Al-Nusra. Também fizeram elogios ao caráter não-sectário do exérito sírio e nas redes sociais constantemente mostram suas relações com Assad a nível simbólico (bandeiras sobrepostas, montagens, slogans anti-terroristas, esse tipo de coisa). Até então, diferente dos impulsos autonomistas dos curdos, os druzos tem re-afirmado sua lealdade ao regime e a nação da Síria. Muitos druzos servem no exército regular e os caídos são louvados pela milícia como mártires.

Guarda Nacionalista Árabe

Orientação: Pan-Arabismo, Secularismo, Anti-Sionismo, Anti-Colonialismo

Força: 1000

Organização pan-árabe com voluntários de vários países (Palestina, Egito, Iêmen, Líbano, Tunísia, Síria e Iraque). São nacionalistas com um forte componente secular e anti-sectário, de corte nasserista. Dizem lutar pela manutenção da nação árabe, não por Assad – dentro desta lógica combateram na Líbia e no Iraque contra as forças da OTAN. Suas unidades levam nome de próceres árabes como Nasser, Wadie Haddad (fundador da Frente Popular de Libertação da Palestina), Mohammed Brahmi (tunisio que fundou o movimento socialista e naiconalista “Movimento Popular” depois da derrubada de Ben Ali, sendo assassinado em julho de 2013 por islamistas), Jules Jammal (oficial naval sírio que afundou um navio francês na Crise deSuez, em ’56) e Haidar Al-Amali (pensador nacionalista árabe moderno proeminente, de origem libanesa e que morreu de ferimentos adquiridos na guerra contra a ocupação israelense no Líbano em 2006). Naturalmente, há Nasser, Assad, Saddam Hussein e uma homenagem ao Hezbollah. Fora as figuras árabes, também têm uma unidade com o nome “Hugo Chávez”. Possuem cerca de 50 unidades no total.

Cooperam com o exército e com a Força Nacional de Defesa, principalmente em funções de assessoria e treinamento (mais do que combate direto no front), atuando em regiões como Damasco, Homs, Daraa e Aleppo. Participaram de batalhas importantes nos subúrbios de Damasco, bem como em Ghouta e al-Qalamoun. Segundo seu líder, diferente do caso líbio ou iraquiano, o regime os suporta diretamente.

Possuí cerca de 70 mulheres em seus quadros. Mostrando o caráter ideológico e militante da organização, uma das mulheres é uma síria que declarou que preferiu se juntar a GNA ao invés do corpo feminino da FND porque “não é uma leoa”(nome das mulheres da FND), “mas sim uma nacionalista árabe”.

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Batalhão Eslavo

Força: 257 (em outubro de 2013)

Companhia militar privada (Private Military Contractor, PMC) registrada em Hong Kong, mas de origem e quadros eslavos. O grupo se destacou pelo seu caráter ao mesmo tempo empreendedor e quixotesco. Conseguiu quadros através de publicidade na internet russa, prometendo salários mensas de 5 mil dólares para fazer guarda em instalações de energia síria (o tipo de função adequada para PMCs), atraindo muitos veteranos de diversos serviços russos. Na Síria, receberam equipamentos ultrapassados e no lugar de um blindado prometido receberam um ônibus com placas de ferro (isso causou preocupação nos contratados, que perceberam a total ausência de apoio estatal russo ou sírio na empreitada, com muitos lutando para pagar sua passagem de volta). Permaneceram por algum tempo na Síria e, depois de terem sido rechaçados por forças rebeldes enquanto tentavam cumprir a ordem de se juntar ao exército sírio, retornaram para a Rússia onde os participantes foram presos pelo FSB (trabalhar como mercenário é punível na lei russa).

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