Oportunismo de esquerda e o “protagonismo” do povo sírio

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Jabhat Al Nusra, grupo ligado a Al Qaeda e um dos principais “defensores” de Aleppo Oriental contra o exército sírio.

Texto de Phil Greaves escrito ainda em 2014, mas que faz um exame crítico do início da guerra civil na síria e as narrativas lançadas na grande mídia corporativa que são reproduzidas ainda hoje no Brasil por “progressistas liberais”, setores do PSOL e pelo PSTU. Este debate acendeu novamente com o processo de retomada de Aleppo pelo exército sírio, com uma forte campanha de propaganda sentimental jogando pessoas até então ignorantes numa discussão sobre política internacional e o inevitável ressurgimento da narrativa “ditador tirano opressor x o povo”.  O fato de fazerem uma acusação completamente sem substância de que ocorre um genocídio em Aleppo (não existem informações concreta sobre isso – o que temos são relatórios, imagens, reportagens, fontes diversas tratando a evacuação da cidade, tanto de civis como de jihadistas que receberam a permissão de se mover para outra região do país) faz com que busquem se apoiar num argumento de origem, em que o caráter genocida do regime de Bashar al-Assad já estaria definido no princípio da guerra e na “matança de civis pacíficos”. Esse mesmo tipo de desonestidade é que esconde que Aleppo era uma cidade dividida entre governo e rebeldes, e que enquanto 1,5 milhões de civis viviam na zona do governo, somente nas estimativas mais altas 100 mil permaneciam na zona dos “rebeldes”, considerando que oito vezes isso fugiu para o lado do governo quando os “rebeldes” chegaram.

O PSTU, particularmente, se vale da proximidade com árabes ligados a Irmandade Muçulmana para criar uma cortina de fumaça emocional que se interpõe ao exame crítica da situação na síria. Agitam um “lugar de fala” abstrato de seus associados que pretende desaparecer com as filiações políticas reais dos que falam (adeptos do Presidente da Turquia, Erdogan, por exemplo) e com as contradições políticas do Oriente Médio (existem sírios que apoiam Assad? Em que extensão e por quê?). O discurso pseudo-humanitário da organização e seus epígonos encobre os crimes dos “rebeldes”, incluso bombardeios indiscriminados (e sim, eles bombardeavam Aleppo ocidental) e cria uma imagem demonizada do regime sírio, não para pedir o fim do conflito de longa duração e resultados lastimáveis com uma solução política, mas para bradar a destruição do regime e o “enforcamento de Assad” exigindo mais armas e apoio para as gangues jihadistas.

As mesmas mistificações utilizadas hoje pelos setores da esquerda brasileira favoráveis a chamada “Revolução Síria” já foram endereçadas há dois anos atrás neste texto.

“Protagonismo” aqui é sinônimo de “agência”, “capacidade de decidir”.

Oportunismo de esquerda e o “protagonismo” do povo sírio

Tendo explicado a semana passada sobre a duplicidade da posição das “esquerdas liberais” do ocidente sobre o golpe fascista patrocinado pelo imperialismo na Ucrânia, um exemplo particularmente flagrante do mesmo sofisma pequeno-burguês tão difundido na dissidência civilizada ocidental mostrou mais uma vez sua cabeça tenebrosa. No que só pode ser descrito como agitprop emocional (emo agitprop), a bandeira da pequena burguesia ocidental de desinformação e propaganda imperialista sobre a Síria foi recentemente publicada pela auto-proclamada “Artista esquerdista” Molly Crabapple.
O artigo aborda uma manifestação organizada por um ativista sírio anti-governo, que escolheu ler os nomes de 100 mil vítimas da guerra da Síria fora da Casa Branca por 72 horas. O simbolismo pretendido de tal demonstração é bastante difícil de determinar, particularmente considerando que a análise histórica sadia mostra que o imperialismo ocidental – ergo: a Casa Branca – carrega a enorme responsabilidade pelas mortes daqueles que estão sendo usados ​​agora para “causar culpa” no público ocidental (Militares), bombas de liberdade da OTAN, e assim por diante. Além disso, parece que tanto Crabapple como o seu protagonista esqueceram ou omitem intencionalmente o fato de mais de metade das vítimas terem morrido nas mãos da milícia fundamentalista patrocinada por monarcas/ ocidente / israelenses / wahhabi; A própria milícia que Crabapple está agora vendendo como “revolucionários”.

Naturalmente para o Guardian, a narrativa cumpre as muitas mentiras ocidentais propagadas em nome da insurreição reacionária desde que esta começou, fazendo assim, fornece uma oportunidade de expandir e expor o papel que o oportunismo esquerdo-ocidental jogou no reforço daquela falsidade durante toda crise síria. Além disso, oferece uma oportunidade para contrariar as teorias distorcidas e fraseologias que são usadas ​​para atacar anti-imperialistas e anti-revisionistas a patir do campo pequeno-burguês ocidental de “esquerda-celebridade”, através do qual Crabapple e Cia postulam a noção absurda de que os ocidentais com a tendência de se concentrar no papel do imperialismo ocidental representam “orientalistas perversos”.

Salvo os típicos slogans de “40 anos de ditadura” tão típicos dos trombeteiros auto-indulgentes e egoístas da “democracia” burguesa ocidental, o contexto histórico da “revolução” síria de Crabapple é construído através do retrato rosado de uma onda de protestos que “varreu a mundo”. Na Síria, um “estado policial e reformas neoliberais” são os principais fatores materiais usados ​​para explicar a crise.

Estas simplificações pueris são empregadas para distorcer e minimizar o papel primário do imperialismo predatório ocidental, isso ou simplesmente estupidez cega e preguiça. Em tal análise descontextualizada, não há espaço disponível para documentar os anos de sanções econômicas e subversões lideradas pelo ocidente; nem é permitido um espaço para analisar os efeitos sociopolíticos da seca de cinco anos que dizimou a indústria agrícola da Síria antes de 2011 – causando um empobrecimento generalizado aos setores rurais desfavorecidos da sociedade. Não há análise econômica alguma. Mais importante ainda, não há espaço para documentar as décadas de apoio ocidental e de conivência com o patrocínio da Arábia Saudita de ideólogos fundamentalistas militantes, com o objetivo direto de desencadeá-los e seu ódio sectário contra a Síria (ou qualquer outro alvo na região: Líbia, Hezbollah, Iraque, etc.) quando julgassem politicamente necessário; não se dá espaço para o patrocínio direto do imperialismo ocidental aos expatriados administradores-marionete do “Conselho Nacional Sírio” (SNC) que viajam entre suítes de hotéis em Ancara, Doha e Riyadh, ou os milhares de “ativistas” treinados pelo Departamento de Estado e trabalhadores de ONG que inundam mídia e redes com contas falsas ou enviesadas, fotos encenadas e desinformação. Qualquer crítica da mídia corporativa ocidental, e sua indústria complementar de“análise personalizada” com sua servitude vergonhosa para as narrativas do governo ocidental é completamente omitido – independentemente do fato de que ambos formam componentes essenciais do moderno imperialismo “soft”(“Leve”, “macio”).

Sugerir que o imperialismo ocidental investiu em qualquer um desses indivíduos, políticas ou organizações com qualquer tipo de intenção altruísta é comparável a sugerir que mais de sessenta anos de evidência histórica do contrário é inútil; negando qualquer valor no materialismo histórico e na dialética. A omissão de contexto e o brutal revisionismo histórico são totalmente deliberados e proíbem a perspectiva de se realizar um exame político ou moral mais profundo e sólido dos acontecimentos e de seus processos em evolução. A dialética, a lógica, a distância crítica e as evidências contraditórias são substituídas por um discurso estreito em emocionalmente-direcionado para remover o contexto mais amplo – portanto a culpabilidade ocidental – e formar a falsa representação de um “levante pacífico popular versus regime despótico”.

Crabapple informa-nos que “levou quatro meses para protestos da Síria se tornarem uma insurgência armada”. Essa mentira flagrante é a mais crucial na defesa da falsa narrativa do imperialismo ocidental sobre a Síria. No entanto, como veremos, enquanto as celebridades de esquerda continuam a reciclar cegamente a mentira, há tempos ela foi refutada, mesmo nos mais leais órgãos do próprio imperialismo ocidental.

Uma vez que as causas subjacentes da crise foram distorcidas além de qualquer aparência de realidade, fazer uma limpeza do papel dos “rebeldes” e dos seus patrocinadores imperialistas como instigadores e atores principais responsáveis por agravar a crise, Crabapple então tenta reforçar as falsas distinções entre os supostamente “rebeldes moderados” e extremistas com a dupla fabricação de que a Al Qaeda levou seis meses para entrar na briga e que a Arábia Saudita levou vinte meses para “oficialmente” começar a fornecer armas; retratando assim a emergência dos fundamentalistas em torno de fevereiro a março de 2012.

Esta é como a grande perversão, e mais uma vez só pode ser interpretada como pura estupidez, ou pura desonestidade no objetivo de equipar os imaginários “combatentes seculares da liberdade moderada” com plataforma moral injustificada.

Ao contrário de uma análise tão grosseira e desinformada, e conhecida há muito tempo por alguém que presta atenção, a milícia proto-salafista dominante, como Ahrar-al Sham – que formam a vanguarda da insurgência, e estão inextricavelmente ligadas aos elementos abertos da Al Qaeda e “moderados” ostensivos que estão acorrentados ao imperialismo – admite abertamente que planejavam uma insurgência violenta antes de qualquer protesto começar. Estas milícias, que partilham muito em comum com as suas homólogas abertamente extremas, foram certamente ativas nas primeiras semanas da crise, como evidenciado pelas próprias contas de mortos da oposição: os mais de cem soldados sírios e policiais mortos somente durante Março-Abril 2011 desmente a fantasia de que a violência irrompeu simplesmente através da opressão do estado a manifestantes pacíficos.

Contrariando ainda mais a narrativa de “manifestantes pacíficos-rebeldes moderados”, os incidentes correspondentes de violência organizada contra a segurança do Estado tornaram-se generalizados em meados de 2011 (veja aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui aqui, E aqui), o massacre de 120 soldados em Jisr al Shugour (20 milhas da fronteira turca) em junho de 2011, fornece apenas um exemplo proeminente. Ou Crabapple é inconsciente de tudo isso, ou está deliberadamente omitindo pelas mesmas razões listadas acima. Ao tentar contornar a questão, Crabapple regurgita a teoria da conspiração livre de evidências de que os soldados foram executados por seus próprios superiores por se recusarem a disparar contra manifestantes, desumanizando ainda mais o exército sírio.

Outra falsidade crítica segue, e que tem sido interminavelmente vomitada para formar plataforma moral injustificada em face de evidências contraditórias convincentes. Crabapple afirma que “crimes são cometidos por todos os lados. Mas só o regime de Assad, com sua superioridade de força … poderia matar na escala e com a consistência que transformou crimes de guerra em uma tática de guerra. “Novamente, esta é uma mentira flagrante e distorção dos fatos. A teoria de que o bombardeio da Força Aérea Síria de acampamentos rebeldes em zonas civis equivale a uma porcentagem maior do número de mortes é falácia lógica completamente vazia de qualquer evidência material. O oposto é de fato verdade: de acordo com o chefe de Estado-Maior dos EUA, 90% das mortes na Síria foram incorridas por arma de fogo ou artilharia terra-terra; armas que os rebeldes tiveram, e usado em abundância desde os estágios iniciais. Foi amplamente documentado que cada etapa do apoio militar dado aos rebeldes por parte dos países ocidentais, turcos ou do Golfo resultou em um enorme aumento no número de mortos e deslocamentos civis – principalmente no período entre o final de 2011, quando a Rússia e a China deixaram claro que bloqueariam quaisquer tentativas de criar uma no-fly-zone no estilo da Líbia e o final julho de 2012, quando a CIA e os Estados do Golfo aumentaram dramaticamente as remessas de armas para os rebeldes. [RP: Isso coincidiu não só com o aumento de refugiados mas com ganhos consideráveis para os “rebeldes”]

Os números de mortos fornecidos por ativistas anti-governamentais, como o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (SOHR) [RP: Ironicamente uma operação ridícula do ponto de vista técnico, feita por um senhor anti-governo em Londres] – usado como uma fonte principal para a mídia ocidental, a ONU e as “ONGs humanitárias ocidentais”, nada menos – mostram que são os rebeldes fundamentalistas que são provavelmente responsáveis pela maioria das mortes. Em seu último registro, o SOHR afirma que 55 mil soldados da Força Aérea e do Exército sírio foram mortos durante o conflito, representando quase 40% do total de mortes, enquanto as rebeldes – incluindo 10 mil combatentes estrangeiros – somam 33 mil, representando quase 25 % Do total, deixando cerca de 50.000 mortes de civis, ou 35% do total.

Usando estes números: Se fossem dividir igualmente as mortes civis entre o governo e as forças da oposição, então os “revolucionários” seriam responsáveis ​​por cerca de 80.000 pessoas mortas, ou cerca de 55% do total – a menos que, naturalmente, se colocasse a absurda teoria de que milhares de milícias fundamentalistas díspares têm a capacidade de matar o dobro de soldados profissionais do que perdem, ao mesmo tempo que evitam um número considerável de vítimas civis dentro das zonas urbanas que invadem e militarizam.

O retrato igualmente falso de que a maioria dos sírios se opõe ao governo é omnipresente em todo esse comentário, e, claro, esta é outra mentira flagrante. Um exemplo de quão distante da realidade esta percepção está foi exposta em janeiro de 2012 – no auge do sentimento nacional anti-governo e agitprop ocidental – quando uma pesquisa financiada pelo Qatar da YouGov descobriu que 55% dos sírios, um enorme maioria considerando as condições políticas, ainda apoiava o governo. Esta maioria, sem dúvida, continuou a aumentar à medida que o conflito se prolongava, principalmente em resultado das práticas bárbaras utilizadas pelos rebeldes em áreas civis que acampam, limpam etnicamente, militarizam e, em geral, aterrorizam os habitantes que permanecem – um sentimento ainda mais intensificado com incompetência prolongada dos fantoches expatriados em hotéis cinco estrelas, elevados a posição de “os únicos representantes do povo sírio” em virtude do imperialismo somente [ie o imperialismo decidiu que estes são os representantes “legítimos”]. Nem é preciso dizer que a pesquisa e os resultados foram completamente lavados pela narrativa da mídia ocidental e foi ignorado pelos oportunistas pequenos-burgueses ocidentais, que se acham parodiando William Hague quando afirmam falar em nome do “povo sírio”.

Com base no fato de uma maioria de sírios apoiar o governo e, portanto, enfrentar a ira dos rebeldes fundamentalistas ao invés da ira do exército que eles vêem como protetores, o que é mais evidenciado pela grande maioria dos deslocados internos fugindo “libertação rebelde “para o refúgio de zonas de segurança do governo [RP: 80% dos refugiados internos na Síria vão para zonas do governo – não foi diferente em Aleppo, desde quando os “rebeldes” tomaram a parte oriental da cidade]; então a deturpação deliberada do número de mortos torna-se cada vez mais deplorável. Só pode ser explicado por Crabapple e os oportunistas serem tão doutrinados por seus próprios parâmetros estreitos e sua terminologia desumanizante; eles simplesmente não vêem as dezenas de milhares de soldados sírios mortos, suas famílias e a maioria dos civis sírios que apóiam o governo como pessoas dignas de ser contadas. Crabapple e as pseudo-esquerdas, por sua vez, profanam as vítimas dos mercenários wahhabitas e do imperialismo na Síria, tentando culpar seu destino pelos próprios atores que os protegem, transformando efetivamente a vítima no opressor. A única outra explicação é, mais uma vez, a estupidez cega.

Além disso, há muito se sabe que as forças especiais ocidentais, ao lado das facções do Golfo, da Jordânia e do Líbano, aliadas à Arábia Saudita, e suas contrapartes turca e israelense, têm estado ativamente conspirando e apoiando militarmente a milícia essencialmente fundamentalista – acompanhando a quantia de bilhões de dólares e milhares de toneladas de armas. Esses atores são responsáveis ​​por pôr em movimento uma insurgência violenta através dos procuradores fundamentalistas que eles estavam fomentando desde pelo menos 2006, e agora continuam a fazê-lo sem sequer o pretexto de negação plausível.

O argumento que as pseudo-esquerdas estão agora tentando lançar contra os anti-imperialistas ocidentais é um de oportunismo total e confusão. Crabapple imita Zizek (e outros servos da intelligentsia burguesa) e afirma que a ênfase no papel predatório do imperialismo ocidental ao analisar conflitos e crises no exterior é na verdade um “tipo perverso de orientalismo” que elimina e deprecia a “agência” (outra deliciosa abstração implantada no discurso esquerdista pequeno-burguês) dos povos.

“Quão condenável!?” se poderia dizer, mas onde termina essa “lógica”? Por exemplo, se alguém se opunha ao estupro imperialista do Iraque, então esse se oporia à “agência” de Ahmed Chalabi e a todos os outros cretinos reacionários que se aliaram ao imperialismo ocidental? Os que se opuseram à destruição imperialista da Líbia – cuja posição agora foi plenamente reivindicada, apesar do grotesco discurso de dublê de Bernhard Henri Levy e seus acólitos – “negam a agência” da Al Qaeda, os senhores da guerra salafistas e os criminosos agora estendendo e destruindo o que aa OTAN deixou para trás?
A contradição flagrante é revelada com o auxílio de outro exemplo simples que pode ser especialmente chocante para os oportunistas ocidentais que fingem apoio à Resistência Palestina: se alguém se opõe à ocupação e limpeza étnica da Palestina, está se opondo a uma “agência” sionista?

Aplicando essa “lógica” à questão síria, se os antiimperialistas ocidentais “negam a agência” dos sírios ao se oporem a uma insurreição fundamentalista liderada pelo imperialismo, então o que exatamente os oportunistas negam ao ignorar a maioria dos sírios que se opõem ao wahhabitas Revolucionários!? Na equação liberal-esquerdista ocidental, esta maioria dos sírios simplesmente não existe, eles não têm nenhuma “agência” que vale a pena considerar, muito menos o seu direito à autodeterminação. Os oportunistas estão, de fato, deturpando essa “agência” que eles têm em tão alta estima, retratando falsamente uma minoria de dissidência localizada, ao lado de uma insurgência fundamentalista orquestrada e patrocinada pelo imperialismo ocidental, como representante de toda a população síria. Os oportunistas acusam-nos, anti-imperialistas, de orientalismo e de “negar a agência” ao mesmo tempo em que cometem o mesmo ato! Um caso de pura dissonância cognitiva, ou simplesmente uma fraca tentativa de criar confusão.

Esses argumentos falaciosos e truques semânticos são empregados na tentativa vã de fechar a análise crítica que não se apega à ideologia política burguesa ocidental e à sua agenda partidária. Na realidade, são as pseudo-esquerdas ocidentais que agem como agentes do imperialismo ocidental, traindo a autodeterminação e as bases do socialismo internacionalista. Engajar-se em tal ofuscação e teorização inúteis é deliberadamente obstruir o fato material simples, a dialética histórica, obstruir uma “crítica cruel de tudo o que existe” e os exames e conclusões corretas a serem extraídos no sentido internacional.
Lênin foi forçado a gastar grande energia para combater as mesmas vertentes do oportunismo de esquerda há cem anos, descrevendo-o corretamente como “o principal inimigo dentro do movimento operário”. As distorções e teorias retorcidas das celebridades de esquerda modernas representam nada mais do que o vil oportunismo testemunhado dentro dos partidos socialistas durante a eclosão da Primeira Guerra Mundial, quando os chamados marxistas tomaram o lado de sua burguesa contra a burguesia e as classes operárias das nações hostis. Os oportunistas europeus que optaram por empregar as frases do social-chauvinismo e atuarem como agentes de sua própria burguesia na “defesa da pátria” são hoje refletidos pelos “socialistas” e “esquerdistas” pequenos-burgueses ocidentais que obscurecem indefinidamente as características internacionais do capitalismo moderno e seu inevitável antagonismo, diminuindo, por sua vez, o papel preeminente e, portanto, a culpabilidade, do imperialismo ocidental.

 

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