E se o impedimento não passar?

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Dar qualquer credibilidade ao impedimento é cair numa ilusão armada por golpistas e criminosos. O problema do impedimento é justamente esse: ele é ativo, é uma ofensiva, um ataque, um movimento. Ele tem efeitos políticos. Nós já esperávamos os quatros anos de Dilma Roussef, não essa movimentação que possui sua própria natureza e somente fortalece as forças da reação.

No entanto, os patriotas, aqueles verdadeiramente comprometidos com a independência e o desenvolvimento do nosso país, com a emancipação das massas populares, e não com os interesses escusos do imperialismo, nós não podemos alimentar esperanças neste governo que se entranhará mais nos caminhos dos vendilhões e do anti-povo. Não cabe aqui discutir o passado já repleto de concessões e conciliações inaceitáveis e, às vezes, de dano irremediável, mas não adianta fazer como os governistas e unirem entorno de um programa que não cumpre nossas aspirações. Tenham em mente que, além dos problemas passados e já existentes do Partido dos Trabalhadores, as forças do golpismo já que conquistaram uma vitória com esse movimento e qualquer vitória do governo atual será uma vitória extremamente frágil e condicional, uma vitória que intensificará os cortes, a austeridade, que eleva as tendências de direita na nossa vida política. Tenham como máxima: medidas da austeridade estão na contramão do desenvolvimento da independência, não existe desenvolvimento sem investimento, não existe mais desenvolvimento dependente. O petismo se disfarça com o discurso da independência mas pratica o entreguismo para se manter no governo e manter a paz com os senhores – os produtos dessa política estão aí e geraram a própria morte do PT. Nós não estamos lidando somente com cabeças da política, mas com tendências do político. Essas tendências vão se manifestar no próprio governo do PT, tendências que nascem não só dessa tensão mas da crise internacional do capitalismo.

O PT não coloca as grandes questões, ele está apegado a um projeto tímido, apegados a uma noção de estabilidade incompatível com as necessidades de uma grande nação. É uma vergonha a forma como os governistas são tão pequenos em sua posição, a forma como se isolam em casulos defensivos, frágeis, ao invés de assumir uma postura altiva e militante – o choro corrente dos petistas na manifestação é prova disso e já anunciava que se depender deles seremos devorados pelos golpistas. O seu discurso é, sim, um discurso de formas conservadoras, um discurso quase desprovido de afirmação e dependente de ideias de manutenção da ordem. O PT foi dormir com as cobras golpistas todos esses anos, naturalmente amanheceu repleto de picadas. Nós não devemos só defender o voto majoritário que os golpistas odeiam e repudiam, não devemos ficar com o discurso tímido das “regras da brincadeira”, mas afirmar nossos ideias de justiça frente aos golpistas, aos fisiologistas, os hipócritas e os mentirosos. Não importa se o impeachment não passar, o que nós assistimos é a tragédia do peleguismo lulista pelas mãos dos criminosos que Dirceu no passado se dispôs a abraçar, os velhos oligarcas da politica brasileira, os senhores de terra, os mercenários do estrangeiro e os filhotes da ditadura. A justificativa deles é, no máximo, recorrer a dados sobre diminuição da pobreza, mas todos nós sabemos das limitações que existem por trás desse projeto. É incrível como o petismo se afastou até mesmo do discurso da exigência, do discurso da reivindicação, do discurso da conquista…. não reivindicam e mal se indignam, no máximo depositam suas energias em brigas eleitorais e em brigas com a mídia, de resto, é necessário manter a confiança no governo e conservar a paz social, “que tudo vai ficar bem”, “estamos caminhando bem”, é um discurso nacional-conservador dependente da ordem (parcialmente correto nos princípios) com uma pintura de esquerda, “ê que legal já temos um governo amigo dos pobres agora é só ficar quietinho que ano após ano somos mais parecidos com uma social democracia europeia, tamos no desenvolvendo, sem conflitos, vamos negociar com a reação pra ficar no poder, porque nós no poder somos a salvação dos pobres, o que importa é o poder, mesmo que custem compromissos e seja através das armas de outros”. Zé Dirceu é uma espécie de Bismarck da esquerda brasileira, mas sua Alemanha se desintegrou mais rápido que o esperado.

Tempos horríveis virão COM OU SEM IMPEACHMENT. Entendam isso – muita coisa está mudando e muita coisa vai mudar (para pior).

Não devemos reproduzir o discurso, a narrativa e a mitologia petista, eles são fracos. Não devemos atacar o golpe defendendo o governo e também não devemos atacar o golpe com um mero discurso formalista legal (que é uma discurso honesto e coerente, porém fraco), mas atacar o golpismo com posições firmes, consequentes e nacionais.

É essa firmeza que marcará os novos militantes, os militantes da nova história, a história do século XXI, porque o que estamos vendo agora é a morte dos anos 80, a morte da geração diretas já. Mesmo que a reação se fortaleça muito, haverão jovens feitos de aço.

No momento atual, falta uma mobilização sólida e verdadeira contra as medidas de austeridade, as medidas anti-povo. Mesmo a mobilização anti-golpe é mirrada, as pautas econômicas recebem uma atenção ainda mais precária – falta mobilização real, realmente pautar essa agenda de forma permanente.

As tendências de direita estão elevadas de uma forma ou de outra. Cabe aos patriotas e progressistas se preparem uma longa campanha de combates, para não depender da clemência de parlamentos e nem de negociatas políticas, mas conquistar as ruas e não aceitar o petismo frágil saído dessa situação. Somente se organizando nos diversos espaços (bairros, escolas, universidades e local de trabalho) e partindo para a luta será possível deter a onda de direita que serve aos interesses estrangeiros. O golpismo é maior prova de que não podemos aceitar as medidas neoliberais do governo. Temos que ressuscitar a combatividade e depois elevá-la a níveis novos, superiores. Estamos num momento de alta tensão e, talvez, de desfecho, e só nos organizando no curto prazo, elevando nossa moral (e não nos humilhando com o discurso tímido dos petistas) poderemos não só nos defender dos ataques dos velhos reacionários e golpistas mas buscar nossa libertação enquanto país.

A defesa da soberania e da independência deve ser nossa preocupação primária. Um país dependente, submetido, subjugado, que tem a economia espoliada por interesses internacionais (e seus capangas locais, que fica sobre a bota do capital financeiro, não é um país de verdade. Parte dessa luta inclui se livrar dessa corja de vendilhões que ocupam o nossa política, vivem das práticas mais escusas mas acima de tudo são agentes dessa condição de dependência, são os representantes da antinação. É daí que seguem as nossas outras pautas fundamentais: a industrialização, a reforma agrária, a reforma urbana e a urbanização racional; o fim da escravidão das dívidas e dos juros, contra o rapinismo financeiro e a especulação destruidoras. Esse é o nosso norte e a agressividade deve ser a nossa arma, o nosso dote e nossa via. É este o canto do momento – ocupar as ruas e não se submeter à ilusão do governo, assim como recusamos mentira dos gangsters do congresso, como recusamos o golpe da chapa Temer-Cunha.

Não é muito diferente da nossa postura para com um eventual governo golpista.

É hora de realizar a nossa independência.

ADENDO:

É possível que, se o impedimento for derrotado, tendências de direita também fiquem mais raivosas e exista uma escalada no conflito. É necessário se preparar para isto também.

 

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