Um relatório anual de mulheres em cargos de liderança de 2015 – Rússia e Leste Europeu na frente

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A GrantThornton em 2015 lançou seu relatório anual que investiga a proporção de mulheres em cargos de liderança no mundo corporativo em vários países do mundo. No ranking lidera a Rússia, com 40%, representando uma tendência de toda Europa Oriental e provavelmente impressionante alguns com sua posição superior a Suécia (28%) e a Alemanha (14%).

A pesquisa também acompanha as mudanças nas proporções, e ao mesmo tempo que o Leste Europeu  mantém a liderança, a América Latina passa por uma queda, dentro de uma queda anual no contexto global e uma estagnação geral no que diz respeito ao quadro dessa última década. De qualquer forma, a AL bateu um record com uma queda geral de 18%. O Brasil também sofreu com essa queda e possui uma proporção de 15%, igual a Índia, esta que por sua vez presenciou um aumento, e maior que a Alemanha, que também sofreu queda. Mesmo assim, a União Europeia como um todo bateu um record de crescimento.

Francesca Largerberg, uma das líderes globais da empresa, disse que as empresas “falam, mas não fazem”. Falou da necessidade de um esforço conjunto entre corporações, mulheres e os governos, que deveriam tomar medidas no sentido de aumentar o número de mulheres em cargos de liderança empresarial. Ela aponta não somente medidas de apoio a mulheres, mas medidas no sentido de, por exemplo, combater a estigmatização de homens que ficam em casa (um passo para isso, segundo ela, seria ampliar licenças paternidade e esse tipo de coisa). No que diz respeito a liderança do leste da Europa, Largerberg comenta que isso se deve a uma complexidade de fatores que incluem história, cultura e demografia. “Essa cultura de liderança feminina é um legado do ideal Comunista de igualdade de oportunidade e isso se estender ao amplo campo de disciplinas que as mulheres estudam na região”. De fato, o período comunista não só tinha uma tendência ideológica, como em geral tinha um grande interesse na formação técnica e científica, levando em consideração até mesmo a “produção de estudantes” em seus planos (“é preciso formar no mínimo y engenheiros….”). Esse interesse na formação ampla se casava perfeitamente com sua visão do papel da mulher, da construção da família e a “libertação do trabalho doméstico”. Largerberg continua: “Consequentemente, nós achamos mulheres bem representadas nas indústrias de serviços também; e não só nos setores com números tradicionalmente altos como a saúde (…) mas setores emergentes como de serviços financeiros e tecnologias”. No entanto, ela também observa que na Rússia pesa um fator demográfico, são 120 mulheres para a cada 100 homens.

“O que o resto do mundo pode aprender com o leste europeu? Claro que não existe varinha mágica, mas algumas das recomendações estão no nosso relatório – incluindo mudar normais societárias sobre o papel da mulher e erradicar o preconceito de gênero – são diretamente feitos a partir do que está funcionando bem na região.”

A GrantThornton possui um vínculo sólido com o mundo corporativo e realiza pesquisas diversas dentro do mesmo, sendo que a quinta maior rede de consultoria e contabilidade do mundo inteiro. Essa sua pesquisa anual é de grande interesse para aqueles que (como eles) buscam promover uma maior inserção de mulheres em cargos de liderança, no entanto, eu sempre procuro alertar os outros para que não se curvem aos números. Porque são enganosos? Não, acredito que sejam confiáveis, no entanto podemos interpretar e discutir de diversas maneiras – certamente não é certo querer fazer algum tipo de medidor do machismo sueco, que isso determina a posição das mulheres suecas, seu nível de inserção, auto-afirmação, condição cultural, etc (talvez elas prefiram ser acadêmicas ou gestoras públicas?). Claro, isso também deve despertar em nós a percepção de que existem vários contextos culturais e econômicos que operam de maneiras distintas, sendo impossível falar num “medidor de machismo” ou assumir posições unilaterais. Não deixam de ser dados relevantes e, certamente, interessantíssimos.

Ranking

Fonte (com o documento do relatório):

http://www.grantthornton.global/press/press-releases-2015/women-in-business-2015/

 

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