Estados Unidos usam na Ucrânia a velha estratégia utilizada para desmontar a União Soviética, diz secretário do Conselho de Segurança da Rússia

A crise na Ucrânia e os conflitos militares no Cáucaso são produto de uma política anti-russa promovida pelos norte-americanos, declarou o secretário do Conselho de Segurança da Rússia e ex-chefe do serviço secreto (FSB).

Nikolay Patrushev declarou em entrevista a Rossiiskaya Gazeta que analistas de inteligência observam um padrão no programa anti-russo atual que remonta aos que eram executados pelos serviços especiais norte-americanos nos anos ’70, baseado na “estratégia de pontos fracos^ de Zbigniew Brzezinski, política que consiste em transmutar os problemas em potencial dos oponentes em crises de larga escala.

Diz Patrushev:

“A CIA decidiu que o ponto mais vulnerável do nosso país era a economia.  Depois de fazer um modelo detalhado os especialistas norte-americanos estabeleceram que a economia soviética sofria de dependência excessiva de exportações energética. Em seguida, eles desenvolveram uma estratégia para provocar a insolvência financeira e econômica do Estado soviético, tanto através de uma queda acentuada na receita do orçamento e uma alta significativa nos gastos devido a problemas organizados no exterior.”

Patrushev explicou que com isso veio a queda dos preços do petróleo juntamente da da corrida armamentista, a guerra no Afeganistão, os movimentos anti-governo da Polônia, todos fenômenos que eventualmente levaram à queda da União Soviética. Como enfatizou o ex-chefe de inteligência, cada um destes tiveram as marcas das influência norte-americana.

A política hostil dos Estados Unidos segue depois de 1991, mas agora se concentra na Federação Russa como o único país do mundo com capacidade nuclear para se opor efetivamente aos Estados Unidos. Os produtos da corrida armamentista geram uma inevitável polarização geo-estratégica apesar do fim da polarização ideológica, com a Rússia sendo um grande adversário, mesmo que não ofereça mais uma alternativa política.

“Os estrategistas americanos viram a solução dessa situação na destruição final da administração estatal do nosso país e sua subsequente desintegração de seu território”, disse Patrushev. A estratégia da desintegração é ideal para neutralizar o poder de um grande Estado, especialmente uma potência nuclear.

O plano ganhou vida ativa e violentamente com o apoio dos Estados Unidos ao separatismo checheno, concomitante a saída da Rússia do caos que caracterizou os anos ’90. Para o oficial a atuação de Vladmir Putin foi fundamental para conter esse plano.

Apesar disso, a CIA seguiu esperando mais uma chance de avançar seu plano.

O novo estágio do conflito russo-americano foi em 2008 com a guerra na Geórgia. Para o antigo dirigente, depois da guerra Washington ficou claramente preocupado com a intenção russa de reclamar seu espaço entre as nações líderes do século XXI.

Dito isto, Patrushev explicou que o acontece atualmente na Ucrânia também é produto da ação de serviços especiais norte-americanas, incluindo o golpe que entronou a atual administração em Kiev.

“O golpe de Estado em Kiev foi feito com o apoio aberto dos EUA, usando um esquema clássico experimentado e testado na América Latina, na África e no Oriente Médio. Mas nunca antes este esquema tocou tão seriamente nos interesses russos.”

“Nossa análise mostra que quando os americanos provocam a Rússia a dar passos recíprocos que prosseguem os mesmos objetivos que tinham na década de 1980 no que diz respeito da União Soviética. Então eles estão procurando pontos fracos do nosso país, como fizeram antes. “

Ao falar dos objetivos finais dessas políticas Patrushev sugeriu que os Estados Unidos pretendem capturar o território russo e seus recursos minerais (expansão econômica – isso não se daria, obviamente, com uma ocupação militar mas através de acordos com Estados títeres que se formariam a partir da desintegração local e regional).

“Alguns experts norte-americanos como a ex Secretária de Estado Madeleine Albright sugeriram que Moscou tem poder sobre um território enorme que não pode desenvolver e impede que esses territórios de servir as necessidades da humanidade. Declarações são feitas para falar de uma suposta divisão injusta dos recursos naturais e a necessidade de prover acesso livre destes à outas nações.”

Enquanto a CIA cuida da parte militar, a Secretaria de Estado bombeia dinheiro em ONGs e organizações civis dentro da Rússia, no Cáucaso e no Leste Europeu (George Sorus se faz presente na região com seu dinheiro e suas ONGs desde o fim da União Soviética, financiando revoluções laranja, as forças eleitorais atlantista na Geórgia e o Euromaidan na Ucrânia).

O Estados Unidos seguem um princípio básico da geopolítica (da geopolítica atlantista) para garantir sua prepoderância ou hegemonia internacional, o de conter a “Heartland” euroasiática que por si só jã constituí um equilíbrio geopolítico (na Europa, no Oriente Médio, na Ásia Central e mesmo no extremo-oriente). Os efeitos de uma Rússia que busca uma posição de liderança no cenário internacional já se apresentaram no caso da guerra civil síria, por exemplo.

O autor brasileiro Moniz Bandeira escreveu um livro que explana a situação, “A Segunda Guerra Fria”.

Fonte RT News

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