O marxismo contra o postulado da igualdade

“O postulado da igualdade tem, pois, na boca do proletariado, uma dupla acepção. As vezes – como sucedeu sobretudo nos primeiros tempos, na guerra dos camponeses, por exemplo, – este postulado significa a reação natural contra as desigualdades sociais clamorosas, contra o contraste entre ricos e pobres, Senhores e servos, famintos e glutões. Este postulado da igualdade não é mais que uma explosão do instinto revolucionário e somente isso é que o justifica. Outras vezes, no entanto, nasce esse postulado como reação contra o postulado de igualdade da burguesia e tira dele muitas conseqüências avançadas, mais ou menos exatas, sendo utilizado como meio de agitação para levantar os operários contra os capitalistas, usando para isso frases tomadas dos próprios capitalistas e, considerado desse aspecto, se organiza e cai por terra esse postulado juntamente com essa mesma liberdade burguesa. Tanto num como noutro caso, o verdadeiro conteúdo do postulado da igualdade proletária é a aspiração de alcançar a abolição das classes. Qualquer outra aspiração de igualdade que transcenda a tais limites desborda, necessariamente, para o absurdo. Demos já alguns exemplos a este respeito e poderemos encontrá-los em abundância quando chegarmos às fantasias sobre o futuro, do Sr. Dühring.
Como vemos, a idéia da igualdade, tanto na sua forma burguesa como na proletária, é, por si mesma, um produto histórico que somente podia tomar corpo em virtude de determinadas condições históricas, as quais, por sua vez, tinham por trás de si um grande passado. Está longe, pois, de ser uma verdade eterna. ” - Friedrich Engels em Anti-Duhring.

“Em Hamburg, Wedde havia avistado o Dr. Höchberg e o mesmo avistou Wedde.

O primeiro estaria tingido como algo de superficialidade e arrogância berlinense, porém o segundo gostou do primeiro, apesar deste ainda sofrer muito de “mitologia moderna”.

Quando aquele sujeitinho do Wedde esteve em Londres, pela primeira vez, usei a expressão”mitologia moderna” como designação das Deusas da ”Justiça, Liberdade, Igualdade etc.”, as quais voltaram a andar à solta por aí.

Isso lhe provocou uma profunda impressão, pois o próprio Wedde tem feito muito a serviço dessas entidades superiores.” - Karl Marx, em Carta a Friedrich Engels(1° de Agosto de 1877), onde a igualdade é designada como mitologia.


““Justiça”, “humanidade”, “liberdade”, “igualdade”, “fraternidade”, “independência” : até o presente momento, não encontramos, no Manifesto Pan-Eslavista, nada mais do que essas categorias mais ou menos morais que, em verdade, soam de modo bonito, mas que, absolutamente, nada provam, em questões históricas e políticas.

A “igualdade”, a “humanidade”, a “liberdade” etc. podem reivindicar isso ou aquilo, por milhares de vezes.

Mas, se a questão em causa é impossível, não acontecerá de jeito nenhum e, apesar de tudo, permanece sendo uma “criação utópica vazia”.” - Friedrich Engels em “O Pan-Eslavismo Democrático”

“A noção de sociedade socialista como reino da igualdade é uma noção francesa unilateral que se apóia na velha consigna de “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, noção essa justificada enquanto fase de desenvolvimento de seu tempo e lugar, mas que deveria ser agora superada, tal quais todas as unilateralidades das precedentes escolas socialistas. Pois, essas unilateralidades criam apenas confusão mental, sendo que foram encontrados modos mais precisos de apresentação das coisas.” - Friedrich Engels em Carta à Auguste Bebel(Março de 1875)

 

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